Destino: Ilha de Páscoa (Rapa Nui/Easter Island)
Continente: América
País: Chile
Região: Ilha
Muita gente ainda me pergunta se eu realmente fui pra Ilha de Páscoa. Talvez pareça um destino tão inusitado, tão estranho, e tão.... não-convencional.
Pois bem, eu ouvi sobre a Ilha de Páscoa quando era pequeno (e para o bem do meu humor, vamos simplesmente dizer que isto não foi há muito tempo atrás), em algum documentário da Cultura que, entre acompanhamento do dia-a-dia de leões na selva africana e rituais de acasalamento de focas antárticas, passou.
A história dos Moais, aquelas estátuas de pedra construidas com rocha vulcânica, e que foram espalhadas por toda a ilha pelo povo Rapa Nui sempre estiveram em meus sonhos de aventuras e minhas brincadeiras de exploração. Com uma imaginação tão fertil quanto a minha, isto só aumentou minha vontade de um dia conhecê-la.
O engraçado é que sempre que esquecia sobre a ilha, um Moai aparecia no meio do meu cotidiano de cidade de interior (nesta época especificamente, de Bragança Paulista).
Foi na faculdade que descobri que a globalização tornou o mundo menor, e talvez fez estes locais, estas culturas maiores.
Lembro de uma vez que resolvi que ia pra tal ilha num feriado. Tinha visto preço de passagem e tudo, ai pensei "vou jantar e quando voltar, compro a bendita passagem". Foi o tempo de ir jantar e a passagem já estar o dobro do valor.
Tudo bem, não foi a hora de ir.
Um ano e meio depois, surgiu a oportunidade. Lembro que comprei a passagem seis meses antes, e parecia uma criança com o brinquedo novo quando.... comprei a passagem! Resta só imaginar como foram os seis meses até a chegada.
Acabei indo pro Chile com dois grandes amigos, que se tornaram companheiros de mochilões (isto fica para uma outra história), e de lá fui sozinho (eles foram para o Atacama) para a ilha.
O avião deles saia na noite anterior, e eu fui para a ilha numa manhã de terça feira. Nunca tive muito problema de insônia, acho que sempre consegui me controlar para pelo menos dormir. Bom, não foi desta vez.
Não sei o que me deu, toda vez que pregava os olhos, sonhava que esquecia minha mala, que perdia o vôo, que me atrasava para chegar no aeroporto, que ia para outro aeroporto (o que é impossível, porque Santiago só tem um!).
Enfim, acordei às 4 e qualquer-coisa da madrugada, peguei o primeiro ônibus para o aeroporto (me recuso a pegar taxi nestas viagens), e cheguei lá quase duas horas antes de embarcar. E não é que encontrei o aeroporto lotado, e uma fila para embarcar para o tal destino remoto e fora de roteiros tradicionais?!
Pois é, este é o outro lado da globalização. Nenhum lugar é mais único e inóspito. Logo mais vão ter pacotes de turismo para Bragança Paulista com lotação esgotada 3 meses antes (brincadeira, sou bragantino de coração!).
O avião que imaginava ser um teco-teco sobrevivente da segunda guerra mundial foi um Boeing gigante, um dos maiores aviões nos quais voei. Lotado, e que fazia parada na ilha para depois ir para a polinésia (o que já virou uma linha no meu pipeline de próximas viagens).
Eu passei as 4 horas e meia da interminável viagem segurando o choro. Eu confesso, estava mais que emocionado. Conheci uma chilena muito simpática que estava indo para a ilha fazer um documentário com o marido, e iria ficar um mês inteiro lá. Me pergunto que fim levou o tal documentário? Quem sabe não o vejo logo mais?!
A chegada na ilha é algo.... assustador. Você começa a ver a costa de longe, para pouco depois vislumbrar a pista de pouso que inicia logo após a tal costa, e que acaba... do outro lado da ilha. É como pousar em um porta-aviões, inacreditável perante um sol preguiçoso de abril que estava comemorando a tal páscoa.
Viajar sozinho as vezes pode dar medo, e quando falo que vou viajar sozinho minha mãe fica, no mínimo, desesperada. "Mas porque?", "você é estranho...", "não é meio deprê?" são perguntas já conhecidas. Falando francamente, não gosto tanto de viajar sozinho (embora o ditado "antes só do que mal acompanhado" seja muito importante), ir para a ilha sozinho foi a melhor coisa que fiz.
Isto porque a grande maioria de aventureiros que vai para a Ilha vai sozinho. Acaba não conseguindo companheiros loucos o suficiente para acompanharem na expedição. E assim foi, conheci muita gente no albergue, amigos nestes 4 dias que fiquei naquele lugar ermo, e que continuam grandes amigos agora, quase um ano depois.
Dentre estes, não tenho como não citar a paulista que é praticamente minha vizinha, mas que foi só lá que conheci, um casal de Brasilia, uma española, um japonês, uma alemã, duas chilenas, um casal de austriacos, um neozeolandes, um mexicano, todos únicos e muito, muito agradáveis.
A melhor coisa neste tipo de viagem é perceber que você não está só. Que há muitos outros que compartilham seu espirito e sua vontade, seus desejos e seu ponto de vista, e que, por menor que sejamos, juntos somos grande.
Ainda sonho com os pores-do-sol (primeira vez que uso esta palavra) da ilha, as caminhadas, o silêncio dos vulcões, o simbolismo dos Moais, a Te Pito Kura (este não vou explicar, cabe a você leitor descobrir), tudo.
Lá fiz uma promessa de voltar um dia, no meu veleiro. Ai sim, quem sabe, ir até a polinésia?
domingo, 31 de janeiro de 2010
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